O GLÚTEN: UM PROBLEMA SÉRIO OU APENAS UMA MODA? (Parte 1)


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Nos últimos anos temos assistido a uma preocupação crescente relativamente ao tema do glúten e da doença celíaca.

 

Com cada vez mais informação sobre o glúten e seus efeitos prejudiciais em doentes celíacos (e não só), observámos uma explosão de produtos glúten free no mercado.

 

Glúten free tornou-se uma poderosa ferramenta de marketing.

 

Glúten free tornou-se uma moda.

 

E, como qualquer coisa que se torne moda, corre o risco de cair no ridículo.

 

Hoje em dia existe tudo e mais alguma coisa sem glúten.

 

Qualquer produto alimentar que lhe possa vir à cabeça, existe uma versão sem glúten.

 

E esses produtos são usados pelas marcas em poderosas campanhas que os fazem passar por produtos saudáveis e que não servem para outra coisa senão lançar a confusão e instalar o caos na cabeça dos consumidores.

 

Aqui fica uma primeira nota: glúten free não é sinónimo de saudável!!!

 

Mas afinal o que é o glúten?

 

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O glúten é uma proteína complexa presente no trigo, no centeio e na cevada que confere as propriedades elásticas e de coesão aos alimentos.

 

O glúten é um componente único destes cereais que torna a massa “pastosa”, dando-lhe uma consistência que permite que seja esticada, enrolada, espalmada ou atirada ao ar, o que não é possível quando se cozinha com farinha de arroz ou de milho.

 

É o glúten que permite que a pizza seja pizza e que o pão seja pão e é devido a estas características que o glúten confere às massas que faz com que as pizzas e os pães sem glúten não tenham a mesma textura nem se aproximem das pizzas e pães convencionais.

 

O glúten é essencialmente constituído por duas famílias de proteínas: as gliadinas e as gluteninas.

 

As gliadinas são as principais responsáveis pelo desencadear da resposta inflamatória por parte do nosso sistema imunitário e têm uma estrutura química que dificulta a ação das nossas enzimas digestivas, não sendo digeridas ao longo da passagem pelo trato gastrointestinal.

 

Então e onde é que está o glúten?

 

A resposta mais correta a esta pergunta seria: EM TODO O LADO!

 

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Como já foi referido, o glúten está presente no trigo, no centeio e na cevada. Também está presente no kamut ou na espelta.

 

Até aqui tudo bem uma vez que ninguém come nenhum destes cereais à dentada. O problema é que estes cereais deram origem a milhares e milhares de produtos alimentares (e não só), o que faz com que o glúten esteja praticamente em todo o lado, por vezes em sítios onde nunca pensou que houvesse glúten:

 

• Pão (de qualquer tipo)
• Croissants
• Esparguete e qualquer outro tipo de massa
• Bolos
• Bolachas
• Cereais de pequeno almoço
• Crepes
• Croutons
• Tostas
• Couscous
• Tartes
• Wraps
• Cervejas
• Chás e cafés aromatizados
• Barras de cereais
• Fast Food
• Carne embalada
• Carnes processadas
• Molhos e condimentos para saladas (Ketchup, mostarda, molho inglês, molho de soja, molho teriyaki e outros molhos para saladas)
• Pastilhas elásticas
• Cones de gelado
• Batatas fritas embaladas
• Sopas em pó
• Batom e outros cosméticos
• Cremes e pastas dentífricas

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O glúten está em (quase) todas as prateleiras dos supermercados

 

E o glúten representa realmente um risco para a nossa saúde?

 

A relação entre o glúten e a saúde começou a ser estudada através da investigação sobre a doença celíaca, uma doença em que o sistema imunitário reage ao glúten provocando um processo inflamatório que conduz à “destruição” do intestino delgado.

 

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Esta doença é caracterizada por fortes dores abdominais, obstipação e diarreias crónicas, inchaço abdominal, perda de peso, anemia, fadiga, má absorção de nutrientes, entre outros sintomas.

 

O pediatra holandês Dr. Willem-Karel Dicke foi quem começou a relacionar a doença celíaca com o consumo de glúten quando notou melhorias dos sintomas celíacos em crianças durante a escassez de pão nos finais da Segunda Guerra Mundial.

 

Mais tarde desenvolveram-se procedimentos para avaliar marcadores laboratoriais (anticorpos antigliadina ou os marcadores genéticos HLA DQ2 e DQ8) que permitissem diagnosticar a reação imunitária ao glúten e, consequentemente, a doença celíaca.

 

Quando estes marcadores começaram a ser usados, fez-se uma descoberta importante: os anticorpos antigliadina e os marcadores HLA DQ2 e DQ8 estão, muitas vezes, presentes em pessoas sem os sintomas típicos da doença celíaca como as fortes cólicas, as diarreias ou a perda de peso, tendo sido desenvolvidos os conceitos de doença celíaca latente e de sensibilidade ao glúten não-celíaca.

 

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Isto significa que os efeitos do glúten sobre a nossa saúde vão muito além da doença celíaca e hoje já se encontram relações entre o glúten e diversas doenças/ condições, entre as quais:
• Dermatite Herpetiforme
• Artrite Reumatoide
• Tiroidite de Hashimoto
• Lupus
• Asma
• Doença de Crohn
• Colite Ulcerativa
• Síndrome do Intestino Irritável
• Diarreias/Obstipação frequentes
• Diabetes Tipo I
• Enxaquecas
• Ataxia
• Neuropatia Periférica
• Fadiga crónica
• Depressão
• Dores articulares
• Dor e inchaço abdominal
• Anemia
• Alergias
• Eczema
• Retenção de líquidos
• Psoríase
• Vitiligo
• Alopecia

artrite reumatoide

artrite reumatoide

 

No próximo artigo será abordada a forma como o glúten provoca tudo isto e como se livrar dele.
Até breve!!